Advertisement
Advertisement
Começar um negócio próprio pode ser o primeiro passo para transformar uma ideia, habilidade ou experiência em uma nova fonte de renda. As primeiras vendas costumam trazer entusiasmo, mas também podem criar uma armadilha comum: acreditar que todo o dinheiro recebido já está disponível para gastar.
Na prática, administrar uma empresa exige muito mais do que vender. É preciso saber quanto entra, quanto sai, quais despesas realmente pesam no orçamento e quanto pode ser destinado ao crescimento ou à remuneração da própria empreendedora.
Para quem está começando, alguns hábitos simples podem ajudar a manter as finanças organizadas e evitar decisões que dificultem os próximos meses de atividade.
O dinheiro das vendas não é todo seu
Um dos primeiros pontos que precisam ser entendidos é a diferença entre receber dinheiro e gerar resultado.
Imagine uma pequena empresa que registra R$ 5 mil em vendas durante determinado mês. Esse valor ainda precisa cobrir produtos, fornecedores, embalagens, taxas, impostos, transporte, divulgação, aluguel, energia e outras despesas relacionadas à operação.
Somente depois de considerar esses compromissos é possível entender quanto realmente ficou disponível.
Por isso, acompanhar apenas o faturamento pode criar uma impressão equivocada sobre a situação financeira do negócio.
Organização financeira começa antes de a empresa crescer
Não é necessário esperar que o empreendimento tenha muitos clientes ou uma grande estrutura para começar a controlar as contas.
Quanto mais cedo a empreendedora estabelecer uma rotina financeira, mais fácil será identificar quais produtos geram melhores resultados, quais despesas podem ser reduzidas e quanto dinheiro pode permanecer no caixa.
Também fica mais simples tomar decisões sobre investimentos, contratação de serviços e expansão.
Mas existe um conjunto de cuidados que merece atenção especial, principalmente durante os primeiros meses.
1. Mantenha separados os gastos pessoais e empresariais
Misturar o dinheiro da empresa com as despesas da casa pode dificultar bastante o acompanhamento das finanças.
Quando o mesmo valor é utilizado para comprar mercadorias, pagar fornecedores, fazer compras pessoais e quitar contas domésticas, torna-se muito mais difícil saber qual foi o verdadeiro resultado do negócio.
Mesmo em uma operação pequena, vale estabelecer uma divisão clara entre os dois tipos de dinheiro.
Essa separação também ajuda a identificar quanto a empresa realmente consegue gerar e qual valor pode ser retirado regularmente.
2. Entenda a diferença entre faturamento e lucro
Faturamento é o total obtido com as vendas. Lucro é o valor que permanece depois que os custos e despesas necessários para manter a atividade são descontados.
Essa diferença parece simples, mas pode mudar completamente a forma como uma empreendedora administra o próprio negócio.
Antes de utilizar o dinheiro das vendas para despesas pessoais, é importante verificar quais compromissos ainda precisam ser pagos pela empresa.
3. Coloque todos os custos na formação do preço
O preço de um produto ou serviço não deve ser definido apenas observando quanto outras empresas estão cobrando.
Matéria-prima, embalagem, transporte, taxas de pagamento, energia, ferramentas, divulgação e outros gastos podem fazer parte do custo real da operação.
Se esses valores não forem considerados, a empresa pode vender bastante e ainda assim terminar o mês com um resultado abaixo do esperado.
Conhecer o custo completo permite estabelecer preços mais coerentes com a realidade do negócio.
4. Não copie automaticamente o preço da concorrência
Pesquisar o mercado é importante, mas simplesmente cobrar o mesmo valor praticado por outras empresas pode gerar problemas.
Cada negócio possui uma estrutura diferente. Uma empresa pode ter custos menores, maior volume de vendas ou fornecedores com condições diferentes.
Por isso, o preço precisa considerar tanto o mercado quanto os custos e a margem necessária para manter a operação funcionando.
Reduzir demais o valor apenas para conquistar clientes pode aumentar o movimento sem melhorar o resultado financeiro.
5. Reserve uma parte do dinheiro para imprevistos
Nem todos os meses terão o mesmo volume de vendas.
Pode surgir uma manutenção inesperada, um equipamento pode precisar de reparo, um fornecedor pode alterar seus preços ou a procura pelos produtos pode diminuir temporariamente.
Ter uma reserva financeira dentro do próprio negócio ajuda a enfrentar situações desse tipo com mais tranquilidade.
Sempre que a realidade financeira permitir, guardar parte do resultado pode ser uma estratégia importante para diminuir a dependência de crédito em momentos inesperados.
6. Pense antes de utilizar crédito
Crédito pode fazer parte do planejamento de uma empresa, mas precisa ser utilizado de maneira consciente.
Antes de assumir uma nova parcela, é importante verificar o valor total que será pago, as condições envolvidas e se o fluxo de caixa conseguirá suportar esse compromisso.
Usar crédito repetidamente para compensar falta de organização pode tornar o orçamento cada vez mais apertado.
Por outro lado, quando existe planejamento e capacidade de pagamento, o recurso pode ser avaliado dentro de uma estratégia maior de crescimento.
7. Defina quanto você pode retirar da empresa
Quem trabalha no próprio negócio também precisa receber pelo seu trabalho. O problema aparece quando as retiradas acontecem sempre que existe algum dinheiro disponível no caixa.
Estabelecer um valor periódico, compatível com a capacidade financeira da empresa, facilita o planejamento.
Dessa maneira, a empreendedora consegue saber quanto terá disponível para suas despesas pessoais, enquanto o negócio mantém recursos suficientes para pagar compromissos e continuar funcionando.
Um pequeno negócio também precisa de planejamento
Empreender não significa apenas conquistar clientes e aumentar as vendas. Uma empresa saudável precisa conseguir pagar suas despesas, manter um caixa organizado, remunerar quem trabalha nela e ainda encontrar espaço para continuar se desenvolvendo.
Por isso, os primeiros meses podem ser justamente o melhor momento para criar bons hábitos financeiros.
Separar as contas, conhecer os custos, definir preços com cuidado, formar uma reserva e controlar as retiradas são medidas simples, mas podem mudar a maneira como o negócio evolui.
No fim, mais importante do que vender cada vez mais é entender quanto realmente permanece depois de cada venda. Essa visão permite que a empreendedora tome decisões com mais clareza e construa uma operação preparada para crescer de forma sustentável.
Advertisement
Advertisement
Advertisement
Advertisement

